Irã poderá sofrer ataque a qualquer momento
As tensões relacionadas ao programa nuclear iraniano estão nesse momento atingindo o seu nível máximo até então. O prazo dado ao Irã pelos EUA e Europa para que um acordo relacionado ao enriquecimento do urânio iraniano esgotou-se e o impasse continua. Portanto é de se esperar que o Irã sofra sanções econômicas duríssimas a qualquer momento, o que pode levar o regime iraniano a tomar atitudes extremas. E já se antecipando a uma reação iraniana, esta semana foi divulgado pela imprensa árabe que os EUA silenciosamente estacionou defesas anti-mísseis em alguns países do Golfo Pérsico. Essa porém não é a primeira medida americana na esfera nuclear. Faz alguns meses o Pentágono encomendou as mais modernas e poderosas bombas anti-bunker capazes de penetrar dezenas de metros fortificados.

Natanz é uma das principais instalações nucleares do Irã conhecidas e um dos alvos em caso de ataque
Caso seja atacado o Irã fará o possível para que seus aliados na região envolvam-se na guerra atacando o inimigo Israel. Isso se dará provavelmente a partir de Gaza através do grupo Hamas e do Líbano através do Hezbolah. A dúvida é se a Síria cumprirá a palavra de seu presidente Assad que recentemente afirmou que seu país se juntará ao Líbano caso o país seja atacado por Israel, algo que os israelitas certamente farão caso o Hezbolah ataque o país. Ainda nesta semana o ministro do exterior sírio afirmou que num confronto com Israel a Síria levará a guerra para as cidades israelenses. Já o ministro do exterior israelense rebateu que em caso de guerra a Síria não apenas será derrotada como a família Assad perderá o poder.
Ontem mesmo Khamenei, líder religioso e autoridade máxima no Irã declarou a um visitante, um alto membro do grupo Jihad Islâmica, mais um grupo radical financiado pelo Irã e atuante na Palestina, Líbano e Síria, que o desaparecimento de Israel é certo, juntando-se a divesas outras ameaças de teor semelhante vindas do Irã, como a declaração de um influente clérico iraniano que em caso de guerra nuclear entre Israel e Irã, o Irã sobreviverá e Israel não, tendo em vista seu pequeno território, tudo isso fez com que Israel dedicasse vital importância ao programa nuclear do Irã.
Nesse momento dos acontecimentos é certo que Israel já tem seus planos para atacar o Irã prontos e a IAF (Força Aérea de Israel) apenas aguarda sinal verde do chefe de governo para colocar o plano em ação. Já os resultados dessa operação de grande complexidade devido a diversos fatores entre eles a distância entre os países, número de locais a ser atacado e elevado grau de fortificação desses locais, fazem com que muitos analistas considerem que tal ataque produzirá resultados duvidosos.
Já com relação a uma possível ação militar dos EUA ou Grande Satã, como o regime iraniano se refere aos EUA, a situação é bem mais complicada para o Irã, que sofrerá um ataque massivo ao seu programa nuclear e tudo relaciondo ao programa de mísseis, instalações da Guarda Revolucionária, complexo industrial militar e tudo que de alguma forma possa ameaçar a livre navegação no Golfo Pérsico e as forças navais americanas ali estacionadas.
Muitos porém duvidam de uma ação militar americana contra o Irã devido as dificuldades econômicas pelo qual os EUA atravessam, além do desgastante e oneroso envolvimento do país no Iraque e Afeganistão. Algumas das maiores autoridades da defesa americana já se manifestaram publicamente em relação as graves consequências que um conflito com o Irã poderá acarretar. Por outro lado permitir que os iranianos desenvolvam armas atômicas, associado ao programa de mísseis de alcance cada vez maior, também não parece um quadro menos desestabilizador. Por diversas vezes os americanos acusaram o regime do Irã de ajudar rebeldes no Iraque em ações que resultaram na morte de tropas americanas. Isso para não citar o envolvimento iraniano em Gaza e Líbano. É de se esperar portanto que uma vez armada com dezenas de armas nucleares o regime islâmico do Irã se sentirá mais seguro para ações ainda mais ousadas.
Ao contrário porém da invasão do Iraque quando a existência de armas de destruição em massa, mais tarde não confirmada, motivou a ação americana mesmo sem o val da maioria dos governos europeus, no caso do Irã existe um grande consenso entre os EUA e seus parceiros europeus que um programa nuclear com fins militares encontra-se em desenvolvimento no Irã. Daí até esses países concordar em participar de uma ação militar, vai uma grande diferença.
No Irã tanto o programa nuclear assim como o de mísseis encontram-se sob a autoridade da Guarda Revolucionária, tropas de elite separadas das forças armadas e fiéis ao regime. O interessante que 2 ou 3 anos atrás um alto oficial da Guarda Revolucionária com envolvimento no programa nuclear do país, desapareceu e os comentários na época é que o mesmo teria desertado e estaria sob proteção de algum serviço de inteligência estrangeiro. Esse caso porém não é isolado, o que faz supor que europeus e americanos tenham posse de informações convincentes sobre o programa nuclear do Irã.
Continua breve…

O ministro Celso Amorim, que defende que as negociações com Irã continuem mesmo após longo período de conversas infrutíferas, posicionando o Brasil contra sanções mais severas contra o regime dos aiatolás, se deve ao fato que conversar seja a única coisa que o Brasil pode oferecer.
Além disso todo mundo sabe que o Irã possui um agressivo programa de desenvolvimento de mísseis de longo alcance. E ao menos que nosso ministro Celso Amorim acredite que o Irã pretenda confrontar ou mesmo atacar um país da importância de Bangladesh ou Timor Leste, fica óbvio que esses mísseis terão como alvo alguma potência mundial com capacidade nuclear.
Portanto é estupidez acreditar que algum dia o Irã irá ameaçar uma nação inimiga e provavelmente nuclear, apenas com mísseis convencionais. O programa de mísseis de longo alcance iraniano não teria muita utilidade sem capacidade nuclear.